Todo dia é meu dia

Reflexões de uma mulher que após diagnóstico de câncer de mama, decidiu priorizar-se todos os dias. Não são reflexões sobre doenças...são reflexões sobre a vida!

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Você perdeu a alegria de viver! Será?

Esta semana ouvi: “você perdeu a alegria de viver”. Contestei! Como assim? De forma alguma! Mas a pessoa foi insistente, disse que desde o início do meu diagnóstico havia me alertado sobre esta possibilidade.

Era mais ou menos assim: “Eu te avisei...lá atrás! Não perca sua alegria de viver”.
Respondi calmamente que era impressão e ele completou dizendo que  até a outra pessoa de nossa convivência no trabalho confirmava.

Imagina! me despedi e segui em frente.

O que ele sabe sobre mim? Sobre minha vida? Sobre minhas alegrias? E por mais que estas perguntas me trazem respostas reconfortantes. Senti raiva!

Fiquei remoendo um pensamento de suposições sobre minhas atitudes que fizeram com que ele chegasse a esta conclusão. É cansativo!

O cansaço vem dessas situações em que parece que devo provar algo para as pessoas, onde elas se sentem confortáveis em me dar sugestões, conselhos sem que eu as solicite. É revoltante!

Revoltante conviver com julgamento tão raso das pessoas, que nos colocam em caixinhas de sofrimento, cheias de rótulos, e é só enxergam o que querem. É triste!

Triste porque além de conviver com todas as condições impostas pela doença, ainda temos esses caprichos ou seria uma necessidade de reafirmar o sofrimento alheio para sentirem-se melhor. Não sei! É confuso!

As coisas poderiam ser mais simples, com menos achismos, com mais olhos nos olhos, mãos que apoiam, bocas que sorriem e palavras que acalentam, incentivam e trazem paz.

Mas já aprendi que a paz eu mesma tenho que buscar e o caminho é simples, deixar de alimentar os pensamentos que insistem em buscar respostas, praticamente me culpando. E assim faço!

Mas antes, me vem à mente uma resposta que encerra o assunto na minha cabeça: uma das coisas que eu perdi, não foi alegria de viver, mas sim a necessidade de agradar a todos e portanto, talvez eu esteja realmente sorrindo menos. E sabe aquela história da diferença entre qualidade e quantidade... pois é... meu sorriso é de qualidade, autêntico, livre e cheio de alegria.

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