Roupa brega, dizia o bilhete enviado pela professora. É semana do Dia das Crianças, sempre tem muita brincadeira e magia. E lá estava ela com umas oito cores, três estampas, de meias e sandálias, um coque no meio da cabeça, com laço colorido. Antes de sair, falou sobre sua preocupação em ser a única a ir com roupa bem brega para escola e agiu, criou uma roupa estratégica, uma calça cheia de estampas, por baixo de um shorts cheio de flores, a blusinha tinha flores também e caso fosse a única brega da escola, tiraria a calça e ficaria com uma roupa alegre. Achei criativo e de certa forma, cheio de autoproteção.
Deu a hora de buscá-la, saiu
feliz da escola, mais que o normal, não precisou mudar a roupa. Não chegou a
1,30m ainda, mas já cresceu tanto! Na mão dois livros novos. Olhou para mim e
disse bem assim: “eu sabia que você não acharia ruim eu gastar meu dinheiro com
livros e teve uma feira do livro, resolvi comprar.” Eu sorri! Um sorriso do
tipo derretido.
É claro que a grande maioria das mães não acharia ruim, afinal são livros. Mas
o que me deixou derretida é que ela está na fase em que precisa de aprovação
para seus gastos, mesmo tendo uma mesadinha. E quanta segurança! O olhar
interessado para os livros, a vontade de adquirir, a ousadia e a certeza em
estar fazendo a coisa certa. A achei
incrivelmente madura, sem deixar de ser criança.
Que Semana da Criança reveladora!
Uma criança feliz, descabelada, colorida, cheia de estratégias e atitude, vindo
em minha direção com dois livros novos na mão.
Quem ganhou presente fui eu.
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