Hoje a Orientadora Educacional me trouxe a notícia, um aluno
do terceiro ano estava desesperado porque sua mãe foi diagnosticada com câncer
de mama.
Fui a seu encontro, queria poder levar alguma tranquilidade,
porque sei o quanto este momento de descoberta é assustador, o quanto nos
sentimos perdidos e sem chão.
“Hoje tem três dias que ela descobriu”, ele disse com a voz
embargada e já de saída. Acrescentou que sua mãe estava lá fora o esperando. O acompanhei
até a saída, ele completou, “ela também se chama Fabiana, Diretora!”, sorrimos
com lágrimas nos olhos. Perguntei quantos anos, ele disse “45”. A mesma idade que
a minha!
Ela estava no carro, fui a seu encontro, olhos nos olhos e me mantive firme, mesmo
querendo chorar, disse “sinto muito”. Coloquei-me a disposição para conversar,
para acolher suas dúvidas ou qualquer outra coisa que ela possa imaginar que eu
tenho a contribuir.
Passou um filme na minha mente, sei este momento é de muita
dor, provavelmente culpa, desproteção e claro...muito medo.
Fiquei pensando em quantas Fabianas, mães, de 45 anos por
este mundo, estão hoje com medo de deixarem seus filhos, imaginando que são
muito novas para passar por isso, se perguntando onde foi que erraram e o que
vai ser do seu futuro.
Lembrei de uma das rodas de conversa com pessoas com câncer e
familiares que frequentei, havia um menino desolado, um jovem, que queria
encontrar razões para justificar o diagnóstico de sua mãe. Ele dizia
repetidamente, “ela é tão boa, não merece!”. Era nítida sua dor e a falta de
respostas sufocava ainda mais seu sofrimento. Algumas pessoas fizeram intervenções
para consolá-lo, mas o que marcou foi a fala da psicóloga que disse, “coisas
ruins acontecem com pessoas boas, ninguém está protegido das malfeitorias do
mundo, porque é bom” e completou “uma coisa é certa, se ela é boa não evita o
ruim, mas terá muita gente a ajudando durante este percurso”. “A bondade oferecida
será a recompensada pelo apoio recebido”, alguém completou. A psicóloga terminou
dizendo, “ninguém está em uma estrada esperando o câncer passar, todos nós
ficamos surpresos e chocados com sua chegada, sem exceção.”
Nunca estamos preparados para um diagnóstico deste, nunca
imaginamos que isto irá acontecer conosco...até acontecer...e daí em diante
temos que tirar forças das nossas profundezas.
E é nesta busca por nossa força mais profunda é que renascemos...
Que todas as Fabianas sintam-se apoiadas, amadas, e consigam
se reerguer, renascer, ressurgir...
Como sempre, terminando de ler com lágrimas nos olhos. Mas com a sua escrita forte, o meu coração se enche de amor, enviando muito amor pra você e pra esse aluno e sua mãe.
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